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Óleo Usado Vira Energia: Conheça a Torre de Derivação do Forno Pirolítico da Ecoete

  • Foto do escritor: Gustavo MedBen
    Gustavo MedBen
  • 8 de jun.
  • 5 min de leitura

Categoria: Forno Pirolítico | Tags: pirólise, óleo queimado, passivo ambiental, tecnologia ambiental, Polo Industrial de Manaus


Tempo de leitura estimado: 5 minutos


Torre de derivação, elevação e distribuição de óleo queimado — subproduto que aciona os bicos injetores do Forno Pirolítico da Ecoete.
Torre de derivação, elevação e distribuição de óleo queimado — subproduto que aciona os bicos injetores do Forno Pirolítico da Ecoete.

O que acontece com o óleo do motor do seu veículo após a troca?


Você já parou para pensar para onde vai o óleo de motor depois que ele é trocado no seu carro, caminhão ou ônibus? Esse fluido escuro e viscoso, saturado de metais pesados, produtos de combustão e aditivos degradados, é classificado como resíduo perigoso pela legislação ambiental brasileira — e seu descarte inadequado é uma das formas mais silenciosas de contaminação do solo e dos lençóis freáticos.

No Brasil, estima-se que apenas uma fração do óleo lubrificante usado coletado é destinada corretamente ao rerrefino ou ao coprocessamento. O restante, infelizmente, ainda encontra caminhos irregulares: descarte em terrenos baldios, lançamento em bueiros ou simplesmente armazenamento indefinido em tambores enferrujados.

A Ecoete, com mais de 34 anos de atuação no Polo Industrial de Manaus, encontrou uma solução técnica e economicamente viável para transformar esse passivo ambiental em ativo energético.


A Torre de Derivação: estrutura que fecha o ciclo


No processo do Forno Pirolítico de Eixo Vertical por Batelada da Ecoete, o óleo de motor usado não é descartado — ele é reaproveitado como combustível de ignição para acionar os bicos injetores que iniciam a chama do forno.

Para viabilizar esse reaproveitamento de forma segura e controlada, a equipe técnica projetou e fabricou uma torre metálica de derivação, elevação e distribuição de óleo queimado — a estrutura que você vê na imagem acima.


Descrição da estrutura


A torre é construída em cantoneira de aço carbono, soldada e pintada, montada sobre rodízios industriais que permitem mobilidade dentro da planta. Ela comporta quatro tambores metálicos de 200 litros (padrão UN), organizados em dois níveis:

  • Nível superior (alimentação): dois tambores posicionados elevados, que funcionam como reservatórios de pressurização por coluna d'óleo, garantindo fluxo constante para o manifold de distribuição.

  • Nível inferior (captação/recarga): dois tambores ao nível do piso, que recebem o óleo coletado e abastecem o sistema por meio de bomba.


O processo em três etapas


1. Captação — o óleo que seria descarte vira matéria-prima

O óleo de motor usado é coletado de geradores industriais, frotas de caminhões e veículos comerciais do Polo Industrial de Manaus. Esse material, que sem destinação correta representaria um passivo ambiental, é armazenado nos tambores inferiores da torre.

Vale lembrar: o óleo lubrificante não se destrói com o uso — ele apenas se contamina. Sua estrutura molecular de cadeia longa o torna um excelente portador de energia calorífica, mesmo degradado para fins de lubrificação.


2. Elevação — a bomba submersível


Para transferir o óleo dos tambores inferiores para os reservatórios superiores, o sistema utiliza uma bomba submersível elétrica. A escolha da bomba merece atenção técnica:

O mercado oferece bombas submersíveis específicas para fluidos viscosos e oleosos, com vedações em nitrila (NBR) ou Viton, resistentes ao ataque químico do óleo mineral degradado. Entretanto, a equipe da Ecoete optou por uma solução adaptada com bomba de uso mais amplo, demonstrando que, com as devidas verificações de compatibilidade de materiais e capacidade de sucção a vácuo para fluidos densos, é possível operar de forma funcional com equipamentos mais acessíveis.

Pontos de atenção na seleção da bomba para óleo:

  • Viscosidade do fluido (óleo usado pode ter viscosidade entre 50 e 300 cSt a temperatura ambiente)

  • Material do rotor e do eixo (inox ou fundição resistente a óleos naftênicos)

  • Potência de motor adequada para a altura manométrica necessária (diferença de nível entre os tambores)

  • Vedação mecânica resistente a hidrocarbonetos


3. Ignição — o manifold distribui para os bicos injetores

O elemento central da torre é o manifold de derivação — um conjunto de tubulações, conexões e registros posicionado no cruzamento das mangueiras que convergem dos tambores superiores. Esse ponto de derivação distribui o óleo de forma controlada para cada bico injetor do forno.

Os bicos injetores atomizam o óleo em microgotas que, em contato com a faísca de ignição, produzem a chama necessária para dar start no processo de pirólise. Uma vez estabilizada a temperatura interna do forno (acima de 400 °C em câmara anóxica), o processo de pirólise torna-se autossustentável pela energia liberada na decomposição térmica da carga — e o consumo de óleo dos bicos pode ser reduzido ou interrompido.


Detalhes construtivos que fazem a diferença

Mangueiras


As mangueiras utilizadas são de borracha sintética com trança de aço (tipo hidráulico), resistentes a pressão e compatíveis com óleos minerais. A flexibilidade das mangueiras é essencial para permitir o movimento da estrutura sobre rodízios sem risco de fratura ou vazamento.


Registros e válvulas


Cada linha de alimentação conta com registros de esfera (ball valves) para isolamento individual de cada tambor ou bico, permitindo manutenção e regulagem de vazão sem necessidade de parada total do sistema.


Estrutura em cantoneira


A escolha da cantoneira de aço como perfil estrutural da torre é intencional: além da resistência mecânica para suportar o peso dos tambores cheios (aproximadamente 180 kg cada), a cantoneira permite soldagem de gussets e reforços diagonais com grande facilidade, resultando em uma estrutura rígida, leve e de fabricação local — sem dependência de perfis especiais ou importados.


Impacto ambiental e regulatório


Do ponto de vista da legislação ambiental, o reaproveitamento do óleo lubrificante usado como combustível em processo industrial controlado está alinhado com as diretrizes da Resolução CONAMA nº 362/2005 e com os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), que estabelecem a hierarquia: não geração → redução → reutilização → reciclagem → tratamento → disposição final ambientalmente adequada.

O uso do óleo como combustível de ignição em forno industrial se enquadra na categoria de coprocessamento ou aproveitamento energético, etapas legítimas da cadeia de destinação de resíduos perigosos Classe I.

Importante: a Ecoete recomenda que toda operação com óleos usados e contaminados seja acompanhada de Licença Ambiental de Operação vigente e de Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), conforme exigência do IBAMA e dos órgãos estaduais de meio ambiente.

Por que isso importa para o Polo Industrial de Manaus?


O Polo Industrial de Manaus (PIM) abriga mais de 500 empresas com frotas próprias, geradores de grande porte e linhas de produção que consomem grandes volumes de lubrificantes. Isso significa um volume expressivo de óleo usado gerado mensalmente — e nem sempre com destinação rastreável e adequada.

A solução da Ecoete demonstra que a indústria amazônica pode fechar ciclos dentro do próprio ecossistema produtivo: o resíduo de uma operação alimenta o insumo de outra. Esse é o fundamento da economia circular aplicada ao contexto industrial real da Amazônia.


Conclusão


A Torre de Derivação de Óleo do Forno Pirolítico da Ecoete é muito mais do que uma estrutura metálica com tambores azuis. Ela representa uma filosofia de engenharia: aproveitar o que existe, resolver com o que se tem, e não gerar novo problema ao resolver o anterior.

Com mais de três décadas de experiência em saneamento industrial e tratamento de efluentes no Polo Industrial de Manaus, a Ecoete continua desenvolvendo soluções técnicas que unem viabilidade econômica, conformidade ambiental e engenhosidade construtiva.


Quer saber mais?

Se você é responsável pela geração de óleo usado em sua empresa, ou tem interesse em conhecer o Forno Pirolítico da Ecoete, entre em contato com nossa equipe técnica para uma visita de diagnóstico sem compromisso.


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